Assumo a culpa de ter depositado em você todas as esperanças de vida feliz e planos realizados que não tive com outra pessoa.
Assumo a culpa de, ainda que não seja por escolha, ser intensa demais, querer viver demais, querer me dar demais, e te ter também demais.
Com mais de um mês ouvindo coisas como “somos incompatíveis”, “isso nunca vai dar certo”, “a gente nunca consegue”, ainda não me convenci de que devo simplesmente desistir. Na minha cabeça, o problema ainda é o seu passado tão presente nas suas escolhas, tão presente que chegam a interferir nas minhas. Pra mim, o obstáculo ainda é essa barreira que você construiu com os tijolos mais grossos e pesados que encontrou no mercado, tão resistente que já tentei de tudo – de gritos a lágrimas -, e nem fazer balançar eu consegui.
Mas, talvez, eu ainda insista por não perceber a sua sensatez, por não me dar conta de que, ei, você pode ter razão, isso tudo pode ser em vão, a gente não precisa prolongar. Mas essa história de desistência nunca foi meu forte, não quando eu me encontro assim, mais lá do que cá, mais sua do que minha. E esse positivismo que me envolve de uma tal maneira que eu nem entendo porque chegou, esse otimismo que tenta me convencer todos os dias de que, cara, pode sim ser você, por que não?! Esse olhar pra frente e conseguir enxergar coisas que, na real, nem acontecerão. Essa insistência que eu não sei de onde tira forças pra, dez minutos depois de bater a porta com raiva, pensar em te ligar e falar: para de besteira, a gente tem tão pouco tempo...
Tempo. Eu não sei mais os seus benefícios, você sempre corre quando deve parar, sempre para quando deve atropelar todo mundo a sua frente. Porque que, quando já estamos chegando na esquina, você resolve correr? Ninguém aqui tem pressa de ir para casa. Ninguém aqui quer esperar mais por você. Como você tem a ousadia de retroceder assim dessa forma? A culpa é sua, tempo. A culpa de estar chovendo, aí fora e aqui dentro.
