sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quinta-feira, Julho 09, 2009

       Não é nada, eu só uso você! Uso você como minha válvula de escape de todos os problemas, mesmo que você seja quem mais me pressione emocionalmente. E mesmo sendo você uma pressão diária que faço em mim mesma, me faz bem ficar perto.
       Nossos corpos sem jeito para se juntarem: nossos pés se esquentam, nossas pernas tímidas se cruzam, nossos cabelos se entrelaçam. Respirações que se completam, usufruindo o mesmo ar. E se o corpo cansa, é só uma desculpa para mudar de posição e ficar ainda mais perto de você, assim, como quem não quer nada.
       Como é difícil ficar perto de você e não poder te abraçar com os mesmos braços que eu podia antes. Nossos sorrisos se procuram, e é praticamente impossível não sorrir ao seu lado.

Pai

       O dia 4 de Julho me traz uma tristeza desde os meus 5 anos. É claro que, mesmo que todas as minhas atitudes indicassem, com essa idade eu não tinha idéia disso. Não me lembro nem se eu achava que eram atitudes normais de uma criança.
       Conforme fui crescendo essa tristeza foi se mostrando de uma forma fora do controle de qualquer pessoa, se transformando em incessantes mudanças de humor. Quando me tornei grande o suficiente para notar o porque dessa tristeza percebi que meu pai tinha deixado mais saudades do que uma menina de 5 anos poderia sentir; logo comecei a parar todo dia 4 de julho e olhar para o céu, parabenizando qualquer nuvem, qualquer pássaro, qualquer estrela como se fosse ele - que, na minha cabeça e no meu coração de filha, realmente eram.
       Hoje, nos meus quase vinte anos, acordei no dia 4 de julho e percebi que a tristeza não era porque era seu aniversário, e sim porque eu não sou capaz de lembrar de qualquer comemoração que tenhamos feito juntos.
       A lembrança mais forte da minha infância - na verdade uma das únicas - foi o dia em que você foi tirado de nós. As lembranças mais vagas da minha infância? Você! Meu grande medo sempre foi o esquecimento: esquecer-me de você parecia algo imperdoável.
       Não tenho como definir o aperto no peito que sinto ao pensar em ti. Não tivemos tempo para criar qualquer vínculo sem ser o de pai e filha, o qual eu nem pude aproveitar direito. É ruim me culpar por cada vez que penso e seu rosto não vem a minha mente. É ruim me culpar por toda vez ter que ver uma foto para tentar lembrar ou imaginar o quanto você tratava a todos tão bem. Confesso que algumas vezes te senti ao meu lado, cuidando de mim nos momentos em que eu mais precisei; talvez eu tenha criado sua presença, já que eu não sei como ela foi verdadeiramente.
       Mas Deus compensou (e entenda que compensar não é substituir) toda essa dor e tristeza com um presente, com uma segunda chance de ter um pai, e é nesse medo que eu vivo hoje, de perder novamente e, dessa vez, sabendo o quanto é bom.

(2009)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

       Escolhas existem para serem tomadas, para conhecermos caminhos diferentes. Caminhos têm flores e pedras; deveríamos passar pelos dois, se não passamos significa que algo está errado: nada é unicamente bom ou unicamente ruim.
       Se coisas tão ruins não tivessem acontecido, eu não estaria vivendo outras coisas tão boas hoje.
       Um dia o amor bate na porta do seu coração e, quando você menos espera, ele invade seu peito em menos de segundos, ele nem espera você dizer se aceita ou não. E, de repente, você se vê pensando em alguém antes de dormir, ao acordar, começa a fazer daquela pessoa alguém que te dá forças pra seguir em frente, que dá sentido a tudo, te fazendo querer ser uma pessoa melhor. De repente, como se nunca tivesse passado por isso, ou nunca mais fosse passar, começa a perceber o que é a felicidade quando se tem quem se gosta de verdade ao lado.

Quinta-feira, Junho 18, 2009 - Não se engane…

       E hoje uma amiga chegou toda eufórica pra contar sua experiência matinal:
       Ônibus com destino no Centro da cidade, tranquilo ainda àquela hora da manhã; senta-se. Um homem senta-se no banco da frente: Terno, gravata, pose de executivo. Ele tira um celular do bolso e começa o que duraria até a metade da viagem: mensagens de amor incessantemente enviadas. Respostas imediatas; chamavam-se de “amor”. Falavam sobre sonhos, futuro.
 Ela lê aquilo tudo achando lindo, talvez desejasse que as mensagens fossem para ela. Inclina-se um pouco mais visando ler o nome da “flor” felizarda que recebia tais mensagens. E, ainda feliz, leu: GLAUCO.
       Logo após uma risada escandalosa, o lindo “homem” da frente guardou seu celular, deixando seu amor após uma provável mensagem como “Uma louca atrás de mim acaba de saber que sou viado”.

Sexta-feira, Junho 12, 2009 - Dia dos namorados solteira

       Hoje seria um dia pra acordar e continuar na cama. Não sei porque tive a brilhante idéia de deitar no sofá e ligar a televisão.
       Todos os filmes são de comédia-romântica, com aquele casal que nunca se entende, mas que acaba feliz no final. Todos os canais abertos falam sobre o dia dos namorado, das dicas de bons restaurantes e presentes, ou então de como encontrar algum par romântico pra passar o dia de hoje acompanhado. Agora me explica, quem vai arranjar um affair hoje, começar a namorar hoje e ser feliz para sempre? Talvez eles achem que pensar muito e fazer planos só atrapalhe. Talvez eles estejam certos.

       Pensar sempre é demais, sempre te faz mudar de idéia quando você tem toda aquela certeza que já dura  cinco minutos desde a última crise de existência.
       Pensar nunca te leva a um pedido sincero de namoro ou casamento. Pensar nunca é espontâneo. Espontâneo é você acordar, ouvir uma boa música, ver fotos, presentes antigos, e perceber que se você não tivesse pensado tanto, tudo seria diferente.

Sábado, Junho 06, 2009

       Esses dias me dei conta que amigos são realmente importantes, e mais ainda, que amigos importantes são raros.
       Escolher bons amigos é uma virtude de poucos. Muito poucos. Ou será que os bons amigos que entraram em extinção?
       Identificar-se com alguém hoje em dia é difícil. Achar alguém com as mesmas prioridades que você é quase impossível. Os pensamentos mudam, os objetivos se distanciam, a afinidade diminui… e pronto! você percebe que aquele não é mais o seu lugar.

       O mundo realmente transforma as pessoas. Hoje me peguei no banho, às 7:30 da manhã de um sábado, depois de dormir no sofá por dez horas, pensando sobre minhas amigas, sobre o quanto mudamos com o passar dos anos, sobre como nos afastamos e nos reaproximamos de forma repentina e simples, como se ninguém fizesse falta na vida de ninguém já que tem sempre alguém para substituir. Pensei sobre as diferenças que existem entre nós, sobre o modo de pensar, de agir, e me dei conta de uma coisa: eu gosto de pessoas que pensem com a cabeça, e não com o bolso, pessoas de carne e osso, e não de papel com um “100” estampado na frente.
       Então, logo após o banho, fui à cozinha e perguntei à minha mãe se ela achava que precisávamos de mais para viver bem. A resposta dela? A melhor possível:
       -Não. Acho que vivemos muito bem: temos comida, um bom plano de saúde, e uma casa NOSSA. É claro que quanto mais a gente tem, mais a gente quer, mas temos que pensar sempre nos que têm menos, que perto do nosso, é quase nada.




Uma mãe dessa não há dinheiro no mundo que compre.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

       Pra facilitar vamos chama-los de Bruno e Isabela:
       Bruno é do tipo de garoto que ama Deus e o mundo, principalmente quando maior parte do seu é constituido por mulheres. Isabela é a típica garota que todos gostam no início, mas que depois se esforça tanto pra ser querida que acaba conseguindo o oposto. Eram amigos, de si e de todos. Acabaram juntos e solitários. Bruno acabou por amá-la. Isabela também acabou por amá-lo, mas somente a ele, já que fora o que lhe restara. Como já era o esperado, os dois acabaram por acabar. Bruno acabou por ser quem era. Isabela acabou por sofrer. Bruno acabou com todos (le-se TODAS) que o rodeavam. Isabela acabou sozinha.